Madeira tropical e blockchain: Post de Márcio Barros em “Blockchain Brasil”

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Que relação pode existir entre o decking de madeira de uma piscina e uma moeda virtual? Bom, se a madeira for tropical, como ipê ou tauari, e de origem brasileira, esta relação pode ser muito forte. Pode ser uma relação de confiança.

Desde 2016 a BVRio utiliza o blockchain da Ethereum como parte da sua ferramenta de análise de riscos na aquisição de madeira tropical brasileira. A análise de riscos permite que compradores de madeira tenham informações detalhadas sobre as atividades de exploração, processamento e transporte relacionadas ao produto que estão adquirindo.

A exploração de madeira tropical amazônica é uma importante atividade comercial em diversos estados das regiões Norte e Centro-oeste do Brasil. Se exercida em conformidade com planos de manejo sustentável, aprovados caso a caso de acordo com a legislação, a exploração de madeira tropical produz efeitos positivos na proteção da floresta.

A exploração ilegal de madeira, ao contrário, é uma atividade predatória de grande impacto ambiental. Não é à toa que os governos europeu e americano, entre outros, possuem regras que obrigam os compradores de madeira a fazer uma avaliação de riscos, ou due diligence, da cadeia de suprimento dos seus fornecedores.

O governo brasileiro tem aprimorado as suas ações de licenciamento e fiscalização por conta desta necessidade de acompanhamento e informações detalhadas sobre o ciclo dos produtos florestais, como a madeira. Estas ações resultaram, inclusive, na criação de sistemas de controle do trânsito dos produtos florestais e no registro de informações sobre multas e embargos.

A BVRio consolida as informações públicas sobre a extração, processamento e negociação de madeira e identifica se existem riscos de ilegalidade sobre os produtos adquiridos por compradores brasileiros e estrangeiros. Mas onde entra o blockchain nesta estória? O blockchain serve como um indicador de confiança sobre as informações que consolidamos.

Imagine que um comprador de madeira tenha usado a plataforma BVRio para gerar um relatório de avaliação dos riscos da cadeia de suprimento de um determinado produto de madeira, como o decking que mencionamos no início deste texto. Passado algum tempo, este mesmo comprador questiona as informações que foram utilizadas no cálculo deste relatório.

Neste caso, a BVRio apresenta um relatório consolidado sobre o mercado de madeira para a data do relatório gerado pelo comprador. O relatório consolidado contém todas as avaliações realizadas para todas as origens de madeira conhecidas pela BVRio naquela data, de modo que a origem da madeira do comprador possa ser comparada com outras origens de madeira.

Mas como saber se o relatório consolidado foi gerado naquela data e não produzido agora, quando a comparação foi solicitada? Aí entra o blockchain. Ao final de cada dia, quando um relatório consolidado é gerado, a BVRio gera um hash (uma espécie de impressão digital) do relatório e salva no blockchain. Aprovada a transação em que o hash foi salvo, ele não poderá mais ser alterado.

Assim, se o comprador de madeira quiser confirmar a data de emissão do relatório consolidado, ele pode pedir o relatório a BVRio, gerar o hash a partir do conteúdo do relatório e comparar com o hash que está armazenado na rede da Ethereum. Origem comprovada, como no caso da madeira!

A BVRio tem como missão apresentar soluções de mercado que facilitem o cumprimento das leis ambientais e ações voluntárias que, em última análise, reduzirão o impacto ambiental das ações realizadas por toda a sociedade.

Nós acreditamos que a tecnologia pode ajudar muito nestas ações e que o blockchain pode ser uma ferramenta muito útil no combate às mudanças climáticas. Sua aplicação na avaliação de risco de produtos de madeira é apenas uma das nossas iniciativas nesta área.

Márcio Barros
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Post inicialmente publicado em Blockchainbrasil.org