BVRio transforma limpeza costeira em serviço ambiental verificável na Baía de Guanabara
Com quatro anos de operação, o programa Pescando Resíduos consolida um modelo que transforma a limpeza do oceano em serviço ambiental verificável e financiável, com mais de 500 toneladas removidas da Baía de Guanabara e cerca de 100 pescadores beneficiados por um modelo que inclui a comunidade local no coração da solução.
Desde 2021, a BVRio opera o programa Pescando Resíduos oferecendo pagamento por serviço ambiental a pescadores artesanais que realizam coleta de resíduos em manguezais, ilhas e regiões de baixa profundidade, áreas onde soluções convencionais não chegam. Toda a coleta é monitorada digitalmente pelo aplicativo Kolekt, que registra localização, tipo de material e destinação de cada quilo removido, criando uma trilha auditável que é ao mesmo tempo ferramenta de gestão e base para instrumentos financeiros.
Apesar da poluição plástica em ambientes costeiros ser um dos maiores problemas ambientais do Brasil, ainda faltam políticas públicas e inclusão no setor produtivo como parte da resolução do problema. Na Baía de Guanabara, o desafio é crítico: apesar de ser uma das menores bacias hidrográficas do Brasil, está entre as 3 que mais contribuem com a poluição de plástico nos oceanos. O acúmulo de resíduos compromete ecossistemas, reduz a renda de comunidades pesqueiras e expõe uma falha persistente de mercado: a ausência de mecanismos que atribuam valor econômico à remoção e destinação adequada desses materiais.
Testes e pesquisa aplicada para expansão operacional

Pescadores testam balsa para expandir coleta
Com a operação consolidada, o programa avança em duas frentes. A primeira é o aumento da capacidade de coleta em áreas críticas. Os próprios pescadores construíram uma balsa que já está em operação na Baía, permitindo o transporte de resíduos de grande volume, como pneus e móveis, e abrindo caminho para testes para o transporte de uma mini-escavadeira adaptada para remoção de resíduos maiores em áreas de mangue, onde o lixo se acumula há anos soterrado. A segunda frente envolve o desenvolvimento de soluções para materiais sem viabilidade de reciclagem convencional, em parceria com a UFRJ (IVIG), incluindo rotas como pirólise, e também a priorização de áreas de coleta e interceptação.
Remoção como serviço ambiental verificável
A experiência acumulada indica que a remoção de resíduos, quando associada a rastreabilidade e verificação independente, pode ser estruturada como um pagamento por serviço ambiental (PSA) combinado a obrigações legais e compromissos voluntários de empresas produtoras. O referencial de custo já existe: R$ 4 mil por tonelada, ponto de partida concreto para discussões de escala e precificação. Esse modelo tem implicações diretas para políticas de Responsabilidade Estendida do Produtor (EPR) e mercados voluntários de créditos ambientais, mecanismos em desenvolvimento no Brasil que demandam exatamente o tipo de infraestrutura de dados e governança que o programa vem construindo.
Um arranjo mais amplo em construção
A recuperação da Baía de Guanabara exige um arranjo que conecte quem financia, quem executa, quem pesquisa e quem governa. A BVRio está desenvolvendo, em paralelo ao avanço operacional do Pescando Resíduos, as bases para estabelecer uma governança que solucione a poluição da Baía, reunindo setor privado, sociedade civil, academia e governos em torno de metas compartilhadas e mecanismos transparentes de financiamento e prestação de contas.
Com tecnologia desenvolvida, operação testada com base em dados reais para pagamento pelos serviços ambientais, o programa se posiciona hoje como uma das iniciativas mais avançadas no país na convergência entre gestão de resíduos costeiros, inclusão produtiva e finanças ambientais.