BVRio e INEA firmam novo Acordo de Cooperação Técnica para instalar primeira ecobarreira gerenciada pelo programa Pescando Resíduos na Baía de Guanabara

A Baía de Guanabara recebe diariamente resíduos sólidos carreados pelos rios e canais que a alimentam. Para enfrentar esse problema na origem, a BVRio e o Instituto Estadual do Ambiente (INEA) firmaram um novo Acordo de Cooperação Técnica (ACT) voltado à instalação de ecobarreiras de captura de resíduos. O acordo foi definido na semana passada, em reunião com a presidente do INEA, Denise Marçal Rambaldi.

O novo ACT tem foco em ampliar os esforços do programa Pescando Resíduos, operacional há 4 anos, uma iniciativa que busca remover resíduos sólidos da Baía de Guanabara, unindo tecnologia, gestão comunitária e geração de renda para pescadores artesanais da região. O ACT anterior, firmado em 2023, estabeleceu as bases para colaboração em projetos de economia circular, florestas e resíduos sólidos no Estado do Rio de Janeiro. 

“A articulação com o governo do estado, por meio do INEA, é fundamental para que possamos operar com a agilidade e a legitimidade que o problema exige. A Baía de Guanabara não pode esperar”, pondera Pedro Succar, especialista em economia circular da BVRio.

Uma unidade-piloto, uma estratégia de expansão

A proposta inicial é instalar uma única ecobarreira em um rio ou canal escolhido em conjunto com o INEA. Essa unidade-piloto servirá como banco de testes operacional, para calibrar processos de retirada de resíduos, logística com cooperativas de catadores, frequência de manutenção e protocolos de monitoramento. O aprendizado acumulado orientará todas as decisões de expansão.

A dimensão do problema justifica a urgência. Dados do INEA mostram que as 17 ecobarreiras em operação nos principais rios e canais da Baía de Guanabara removeram mais de 15.600 toneladas de resíduos entre março de 2023 e abril de 2025, uma média de 600 toneladas por mês. Somente em janeiro e fevereiro de 2026, as estruturas retiraram cerca de 2.000 toneladas. São números que revelam tanto a magnitude da crise quanto a eficácia comprovada da tecnologia. 

Para a fase de expansão, a BVRio pretende identificar, de forma científica e sistematizada, quais rios e trechos têm maior potencial de impacto por nova unidade instalada, considerando volume de resíduos, acessibilidade operacional, dinâmica hidrológica e proximidade com comunidades de catadores.

Tecnologia que gera renda onde mais importa

As ecobarreiras têm um potencial que vai além da captura de resíduo. No programa Pescando Resíduos, a prioridade na contratação de operadores é deliberada: sempre que possível, os postos serão preenchidos por moradores da própria comunidade onde a barreira for instalada. É a lógica da solução local: quem conhece o rio, cuida do rio.

O acordo pretende também desenvolver critérios técnicos para garantir que cada instalação seja seletiva e ecologicamente responsável. Esse rigor distingue a abordagem da BVRio de soluções puramente engenheirísticas. A interceptação de resíduos deve ocorrer sem comprometer a função ecológica dos rios, o que exige tanto o desenho adequado das barreiras quanto monitoramento contínuo pós-instalação. A parceria com o INEA é central nessa equação: o órgão estadual detém o histórico operacional, os dados hidrológicos e a competência técnica para orientar decisões que vão além da engenharia de contenção.

Um elo numa governança maior

O novo ACT é, ao mesmo tempo, um instrumento técnico e um sinal político. O programa Pescando Resíduos não pretende ser um projeto isolado, e está sendo implementado como parte de uma arquitetura mais ampla de governança ambiental para a Baía de Guanabara. Estamos trabalhando em um arranjo que articula governo estadual, municípios, setor privado, comunidades e pesquisadores em torno de metas comuns de despoluição. Os contornos desse pacto ainda estão sendo construídos, mas o novo ACT com o INEA formaliza o primeiro elo institucional desse desenho.

O programa Pescando Resíduos é uma iniciativa da BVRio voltada à remoção e destinação adequada de resíduos sólidos em rios e canais que drenam para a Baía de Guanabara, integrando tecnologia de ecobarreiras, economia circular e geração de renda para pescadores artesanais. Investidores e parceiros interessados podem entrar em contato pelo site bvrio.org.